• Cátia Castro

Sobre o género - uma perspectiva psicológica



As orientações lésbicas, gays e bissexuais (LGB) fazem parte da diversidade da sexualidade

humana. De acordo com a informação cientificamente validada, a posição da psicologia é clara em afirmar que a orientação não-heterossexual não deriva de uma psicopatologia.


Na imaginação popular, a reprodução biológica oferece uma impressão digital fixa, na maneira como homens e mulheres fazem sentido do mundo, deles próprios e das suas relações. O androcentrismo significa literalmente "centrado no masculino". Através desta visão, o masculino tem precedência sobre o feminino. A polarização dos géneros faz com que o masculino e o feminino sejam opostos binários, um sendo expresso à custa do outro, reafirmamos esta premissa sempre que referimos os termos "sexos opostos" e "batalha dos sexos". Então, de acordo com esta perspectiva, comportamentos que cruzam as linhas do género, no meio social, são por vezes tratadas como jocosas ou até como patologia. Esta visão binária, contribui também para separar homens e mulheres de uma maneira desigual (sexismo), ao invés de estarmos a ajudar a explicar o mundo que nos rodeia, com este tipo de visão estamos a contribuir para o distorcer.


- O que é então o género?

Sexo e género são muitas vezes usados numa só definição, todavia têm significados distintos. O sexo por sua vez tem dois significados: o estatuto biológico ou a actividade física. O sexo (sexo biológico) é atribuído aquando o nascimento, através da observação do fenótipo (órgãos genitais), verificando a possibilidade de ser macho ou fêmea. Então, aí é considerado um género, feminino ou masculino, que dá a informação para o registo de nascimento. Ao nível dos cromossomas, hormonas e genitais, a natureza não lida em absolutos. Existem múltiplos pontos de variação de um tema binário, e áreas que se sobrepõem, do que categorias discretas. Ao invés de constructos rápidos e fixos, temos aproximações e áreas de ambiguidade. O género é objecto de pontos múltiplos de variação e interpretação. A exploração de rótulos auto-identificatórios sugerem que o género muda de uma identidade social, para uma identidade social e pessoal.

Contudo, o género é uma construção cultural e social, na sequência do que se pensa que um conjunto de características e papéis um sexo pressupõe. Como é cultural, é variável consoante o contexto cultural e social, e quando as pessoas não se comportam conforme as normas de género estabelecidas nessa cultura, o estigma, a discriminação e exclusão social são uma possibilidade.


Os papéis de género são comportamentos socialmente construídos, pressupondo que são

femininos, masculinos ou andróginos.

A forma como de expressão que a pessoa demonstra a sua pertença de género, denomina-se de expressão de género.


O auto-reconhecimento pessoal e profundo enquanto homem, ou mulher, ou ambos, ou trans, ou ainda nem sequer ter identificação a nenhum género, define o conceito de identidade de género.


A orientação sexual constitui uma parte da identidade em que se inclui a atracção sexual e

emocional de uma pessoa para com outra, bem como a afiliação social resultante dessa atracção, correspondendo a um envolvimento no plano emocional, amoroso e/ou da atracção sexual por homens, mulheres ou por ambos os sexos. É classificada em quatro dimensões: heterossexualidade; homossexualidade/lesbianismo; bissexualidade; assexualidade.


A transsexualidade refere-se à experiência de não congruência socialmente reconhecida entre a identidade de género e o sexo atribuído no nascimento. As pessoas transexuais podem identificar-se de diferentes modos (transexual, trans, trangénero...), podendo ou não fazer tratamentos médicos para que o seu corpo e expressão de género seja mais congruente com a sua identidade de género.

De uma perspectiva médica (DSM V) a disforia de género substituiu a perturbação de identidade de género, retirando o ênfase de percepções da pessoa perturbada, ou seja, da angústia pessoal associada ao lidar com “fortes desejos de ser tratado como de outro género ou ver-se livre das características de determinado sexo, ou uma convicção forte de ter sentimentos e reacções típicas de outro género”.

O termo queer pode ser usado para descrever a orientação sexual, a identidade de género da pessoa, quando se identifica de forma fluída e não-binária.


- O que é o coming out (ou saída do armário)?

É o período em que se constrói um sentido de si mesmo como pessoa LGB em diversos contextos sociais (como por exemplo escola, família, emprego). Na adolescência, sendo um período marcado por alguma vulnerabilidade devido aos desafios inerentes desta etapa de desenvolvimento, também os adolescentes lidam com o preconceito interno e procuram gerir o preconceito externo.


– Fazendo sentido do género

O género adiciona uma grande riqueza cultural, fazendo parte de obras de arte, como livros, peças de teatro, poemas, músicas, pinturas, filmes e programas de televisão. Ao longo da nossa história, a arte tem implementado o género em maneiras divertidas, de entretenimento, ou provocação, sendo o género um ingrediente vital. A criatividade humana impregna-se nas nossas vidas, nos nossos esquemas, com cor e significado.

Somos todos contadores de histórias, todos temos as nossas histórias de vida. A nossa história não é uma narrativa linear, editamos e construímos de modo a comunicar um senso de quem nós somos, da nossa psicologia, da nossa identidade. A nossa história também está aberta a diferentes interpretações pelos outros, da forma como encaixamos nas suas histórias.


À semelhança do filme de ficção científica distópica, “Minority Report”, sobre um sistema avançado pré-cognitivo de detecção de crimes, o género é também como ter a nossa vida mapeada antes de a vivermos, assim como a identidade própria, como na ficção científica, é sobre fazer sentido da nossa relação com “aliens e outros”.


O futuro da psicologia de género reside na criatividade humana, e como a podemos trazer para lidar com as mudanças das dinâmicas interpessoais. Temos considerado como diferentes histórias têm dado forma à nossa visão do género e, como o recontar dessas histórias pode ajudar a reformulá-las. Uma nova psicologia do género reavalia as qualidades humanas e traços em termos não-género, considerando outras formas de ser e fazer para além da visão hierárquica e androcêntrica. Um novo paradigma urge para se evoluir, mas de uma forma que não oprima ninguém.


O género é sobre ser e pertencer. É uma identidade pessoal e uma relação ao mundo social.

Portanto, assim como as noções de género mudam, temos também de reavaliar, renegociar e reafirmar o nosso lugar e a nossa relação com os outros que possam a estar a fazer o mesmo. O nosso género tem impacto, um novo paradigma de género torna-se muito mais do que preto ou branco, certo ou errado, vencedores e vencidos. A nova psicologia do género reside nas sombras da ambiguidade que não foram previstas para nós, por outros, no momento do nosso nascimento. É sim uma dinâmica, um processo colaborativo de fazer sentido.




- Referências Bibliográficas:

OPP – Ordem dos Psicólogos Portugueses

APA – American Psychological Association


– Principais recursos comunitários:

ABRAÇO

http://www.abraco.pt/

E-mail: geral@abraço.pt


APAV - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE APOIO À VÍTIMA

https://apav.pt/

E-mail: apav.sede@apav.pt


API - ASSOCIAÇÃO PELA IDENTIDADE INTERVENÇÃO TRANSEXUAL E

INTERSEXO

http://apidentidade.blogspot.pt/


ASSOCIAÇÃO AMPLOS

Associação de mães e pais pela liberdade de orientação sexual e identidade de género

http://www.amplos.pt

E-mail: amplos.bo@gmail.com


ASSOCIAÇÃO ILGA PORTUGAL

Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero

http://ilga-portugal.pt

E-mail: ilga-portugal@ilga.org


ASSOCIAÇÃO NÃO TE PRIVES

Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais

http://naoteprives.pt/

E-mail: naoteprives@yahoo.com


ASSOCIAÇÃO PLANO I

http://www.associacaoplanoi.org/

E-mail: info@associacaoplanoi.org


CASA QUI

Associação de Solidariedade Social

R. Ferreira de Castro; 1900-315 LISBOA

https://www.casa-qui.pt/

E-mail: geral@casa-qui.pt


CENTRO GIS - Centro de Respostas às Populações LGBT

Rua de Brito Capelo, n.º 223 - loja 40, 4450-073 MATOSINHOS

https://www.facebook.com/centrogis/


CENTRO LGBT

R. dos Fanqueiros, 40 – 1100-231 LISBOA

https://www.facebook.com/CentroLGBT/Linha LGBT


CheckpointLX

Serviço anónimo, confidencial e gratuito, dirigido a homens que têm sexo com homens

Travessa do Monte do Carmo, 2, 1200-277 LISBOA


CLUBE SAFO

Associação de defesa dos direitos das lésbicas

https://www.facebook.com/clubesafo/

E-mail: clubesafo@clubesafo.com


DEPARTAMENTO JURÍDICO

E-mail: jurídico@ilga-portugal.pt

Gabinete de Apoio à Vítima Juventude LGBTI

E-mail: gav@casa-qui.pt

Serviço de Psicologia

E-mail: psicologia@casa-qui.pt


GAT

Grupo de Ativistas em Tratamentos

http://www.gatportugal.org/

E-mail: geral@gatportugal.org

Linha telefónica de Apoio e Informação: 218 873 922


OPUS GAY

http://www.opusgay.org/


PANTERAS ROSA

http://panterasrosa.blogspot.pt/


QUEBRAR O SILÊNCIO

Apoio especializado a homens sobreviventes de violência e abuso sexual

https://quebrarosilencio.pt

E-mail: apoio@quebrarosilencio.pt


REDE EX AEQUO

Associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes em Portugal

https://www.rea.pt/

E-mail: geral@rea.pt


RUMOS NOVOS

Associação de Homossexuais Católicos

https://www.facebook.com/rumosnovos

E-mail: geral@rumosnovos.org


SAP - SERVIÇO DE ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

E-mail: sap@ilga-portugal.pt

927 247 468


SAV – SERVIÇO DE APOIO A VÍTIMAS LGBT

E-mail: sav@ilga-portugal.pt


TRANSEXUAL PORTUGAL

https://www.facebook.com/pg/Transexual-Portugal

E-mail: transexual.portugal@gmail.com


TRANSMISSÃO: ASSOCIAÇÃO TRANS E NÃO-BINÁRIA

https://pt-pt.facebook.com/TransMissaoATNB/

E-mail: transmissao.associacao@gmail.com


UMAR

União de Mulheres Alternativa e Resposta

http://www.umarfeminismos.org/