• Cátia Castro

Relacionamentos saudáveis



Todos nós podemos ter a nossa própria definição ligeiramente diferente de como é um bom relacionamento. Mas, geralmente, um relacionamento saudável, seja com um(a) amigo(a), parente, parceiro(a) ou colega, é aquele que o apoia e valoriza para que seja totalmente você próprio(a).


Os relacionamentos ajudam-nos a saber quem somos e oferecem um sentido de propósito. Ao relacionarmo-nos sentimo-nos conectados, amados e amorosos. E quando os nossos relacionamentos estão saudáveis, são bons para nós e somos bons para os outros.

Estudos descobriram que bons relacionamentos ajudam-nos a controlar melhor o stress, o que significa que temos mais probabilidade de nos sentirmos bem connosco mesmos, e podemos até ter mais longevidade.

As relações de apoio aumentam nossos níveis da hormona oxitocina da sensação de bem-estar, e diminuem nossos níveis do cortisol químico indutor de stress.


Quais os elementos de um bom relacionamento:


Os relacionamentos não são estáticos nem perfeitos. Podem ter altos e baixos.

No entanto, um relacionamento saudável pauta pela maioria dos seguintes itens:

- A pessoa sente-se confortável sendo ela mesma

- Sente-se aceite e respeitado(a) por quem é

- Respeita e aceita a outra pessoa

- Sente-se seguro(a) no relacionamento

- Sente-se apoiado pelo relacionamento

- Sente-se ouvido pela outra pessoa

- Dá e recebe em medida "equivalente"

- Pode confiar e ser confiável no relacionamento

- Tem uma identidade e vida fora do relacionamento, amigos, hobbies, etc..

- O tempo que passa com a outra pessoa é um tempo de qualidade

- Pode navegar pelo conflito de uma forma produtiva e chegar a soluções.


Conflitos na relação, o que distinguir?


Somos todos únicos, por isso não é realista concordar em tudo num relacionamento.

Na verdade, se você tem um relacionamento em que ambos parecem ter exactamente a mesma opinião sobre tudo na maioria do tempo, isso geralmente significa que uma pessoa não está sendo honesta sobre como realmente pensa e sente.

Ou talvez ele ou ela tenha perdido tanto o sentido de identidade no relacionamento que nem sabe o que realmente sente (co-dependência).


Portanto, embora todos nós queiramos nos sentir amados, apreciados, ouvidos e ouvidos, um bom relacionamento, do pessoal ao profissional, envolve o tempo e o compromisso de lidar com o confronto ocasional.


O conflito saudável não é se a pessoa grita ou não. Algumas pessoas apaixonados têm conflitos saudáveis mais expressivos, enquanto para outras pessoas uma conversa calma e aparentemente razoável é na verdade um conflito muito prejudicial à saúde disfarçado.

Essas situações podem ocorrer porque o conflito saudável ou doentio não se refere necessariamente ao seu estilo de comunicação sob stress, mas aos resultados que advêm do conflito. Um conflito saudável e bom, resulta em avançar para um ponto de compreensão mais profunda, enquanto o conflito negativo envolve argumentos repetitivos e frequentemente estagnados que o mantêm no mesmo lugar. Ou, pior, é o conflito que está prejudicando a confiança que a pessoa tinha.


Obviamente, se estilo de conflito for agressivo ou desrespeitar um limite que a outra pessoa estabeleceu claramente (a pessoa pediu para que não gritasse com as crianças, por exemplo), então o estilo de conflito pode ser muito prejudicial à saúde.

O bom conflito deve sempre respeitar a outra pessoa, e não deixá-la a sentir-se insegura.


Algumas consequências de relacionamentos difíceis


Assim como bons relacionamentos podem melhorar nosso bem-estar, as dificuldades de um relacionamento podem fazer com que a pessoa se senta oprimida, exausta e até mesmo lutando constantemente contra constipações e gripes, pois pode afectar o sistema imunitário.


Os problemas de relacionamento, estão também ligados a muitas condições psicológicas, incluindo:


- depressão

- maior baixa auto-estima

- solidão severa

- transtorno de ansiedade generalizada

- transtorno de ansiedade social

- problemas de sono

- distúrbios alimentares

- álcool e abuso de substâncias


Sinais de um relacionamento em dificuldades


Quando um relacionamento que não está a funcionar bem, ou que precisa de apoio para não prejudicar os envolvidos:


- Conflito constante. Embora o conflito saudável faça parte de qualquer relação de trabalho, este não deve dominar o tempo em que estão juntos.

- Luta mais do que se dá bem? Um conflito que parece repetir-se e não parece capaz de ser ultrapassado?

- Fica nervoso(a) a maioria do tempo em que diz ou faz algo que não devia?

- Sente-se tenso(a) porque o(a) seu(sua) parceiro(a) pode criar um conflito ou mudar de humor?

-Sente que tudo o que fizer será criticado? Ou já ouviu falar que dá aos outros a sensação de 'nunca ser bom o suficiente'?

- Ansiedade constante. Sente a maioria das vezes ansioso(a) perto da outra pessoa? Ou tem uma sensação de mal estar no estômago e tensão muscular?

- Tem tendência a afastar-se da pessoa sentindo-se exausto(a)? Ou já disseram que deixa a outra pessoa tensa?

- Sentindo-se incompreendido(a) e não ouvido(a). A outra pessoa esforça-se para entendê-lo(a)? Sente-se ouvido(a)? Ou está sempre isolado(a) ou ignorado(a)?

- Da mesma forma, é fácil ouvir a outra pessoa? Ou ignora-a?

- Dar e receber de uma forma desigual. Tem a sensação de estar sendo drenado? Ou a outra pessoa sempre tem que cuidar de si?

- Sacrifício e martírio. Prioriza as necessidades da outra pessoa antes das suas? O seu auto-cuidado diminui quando se envolve com a outra pessoa, priva-se de fazer coisas que são importantes para si? Ou você espera que eles façam de si o mundo inteiro deles?

- Problemas de controle. Faz o que a outra pessoa diz? Ou é importante para si que eles façam o que diz e estejam sempre disponíveis para si?

- Quase que perdendo o sentido de identidade. Por vezes não sabe se os seus gostos e desgostos são seus ou da outra pessoa? Sabe quem é sem a outra pessoa, ou sente que não de tem uma vida separada da relação com outros interesses?

- Abuso emocional, verbal ou físico. Está constantemente a ser humilhado(a) e criticado(a)? Tem pouco ou nenhum afecto e apoio? Foi fisicamente agredido(a)? Ou não consegue parar de manipular ou magoar a outra pessoa?


Porque é que por vezes é tão difícil certas pessoas empatizarem com outras?


Porque considera difícil relacionar-se com os outros? Às vezes, é porque poderá ter um padrão de pensamento, um padrão de relacionamento, uma condição psicológica, que o(a) impede de ser capaz de resolver os seus relacionamentos.


Isso pode incluir:


- Dependência, sentimento de ser incapaz de sobreviver sem a ajuda de outras pessoas.

- Co-dependência, confiar nos outros para lhe dar um sentido de valor.

- Contra-dependência, sentir que não precisa dos outros e mantém-os à distância.

- Problemas de controle da raiva, dificuldade de controlar os humores negativos.

- Medo da intimidade, hesitação em permitir que os outros se aproximem e o(a) conheçam a si mesmo(a).

- Questões da sua história de vida, que levam a padrões de dinâmica de relacionamento e comportamento.

- Entre várias outras condições psicológicas.


A psicoterapia é uma solução para saber lidar com relacionamentos


Se está de momento com dificuldades num relacionamento específico, descobre que repete constantemente um padrão em todos os seus relacionamentos que o(a) deixa exausto(a), com dificuldade em manter um relacionamento de longo prazo ou está em qualquer tipo de relacionamento abusivo, é altamente recomendado que procure psicoterapia.


A psicoterapia procura melhorar os seus relacionamentos, porque procuram ajudá-lo a reconhecer e quebrar padrões de relacionamento e comportamentos, além de ajudar construir seu sentido de identidade e auto-estima.

Quanto mais se conhece e se aceita, melhor se poderá entender a si e aos outros, e estar perto dos outros.

A Psicoterapia Psicanalítica Relacional, é individual, com periodicidade semanal, podendo ser no mínimo uma vez por semana ou idealmente bi-semanal, cada sessão com a duração de 50 minutos.


Algumas sugestões para ter relacionamentos saudáveis


- Aprenda a arte da comunicação. Não se trata apenas de 'dizer como é que te sentes?'.

É sobre aprender a dizer como se sente e o que pensa de uma forma que os outros entendam, e também de uma maneira que não deixe os outros sentindo-se na defensiva e julgados.


- Ouça bem. Ouvir não é apenas balançar a cabeça com o sinal de sim. Concentre-se totalmente no outro e procure ver o ponto de vista dele.


- Aprenda a navegar no conflito. Esclareça o que quer, reconheça o que a outra pessoa querer e negocie um meio-termo sem culpar, sem trazer o passado à tona ou puxando outros para a discussão.


- Torne-se auto-consciente. É difícil dar e receber num relacionamento mse não o fizer de um ponto de estabilidade interior. Conheça-se melhor, sobre quais são seus valores e o que realmente deseja da vida e dos relacionamentos. Isso também significa reconhecer e assumir a responsabilidade por seus próprios pensamentos e sentimentos, tornando-o menos propenso a culpar e projectar, o que prejudica os relacionamentos.


- Trabalhe constantemente na sua estima e auto-compaixão. Quanto melhor se tratar, melhor poderá tratar os outros e também permitir que os outros o tratem bem. Se você acha difícil ter confiança, tente ter compaixão - trate-se tão bem quanto trata seus amigos.


- Definir limites. Aprender a dizer não quando na verdade isso melhora os relacionamentos. Permita que os outros o(a) respeitem e dê sinais de como gostaria de ser tratado(a).


- Reconheça suas necessidades e faça com que sejam atendidas. Nem sempre é fácil saber quais são as suas necessidades, especialmente se cresceu numa casa onde era esperado que se adaptasse. Mas reconhecer suas necessidades e garantir que seu relacionamento as atenda pode encerrar muitos conflitos antes de começarem. Também significa que pode confiar em si mesmo(a) para cuidar de si.

E quanto mais confia em si, mais pode confiar naturalmente em vez de duvidar dos outros.


- Lide com a sua história de vida. Se um trauma de infância o(a) deixou com a sensação de incapacidade de confiar ou de raiva, culpa ou confusão em torno dos outros, a ajuda de um(a) psicólogo(a) para reconhecer e processar a sua experiência, pode deixá-lo(a) livre para ter melhores relacionamentos no presente.

O diário também pode ser útil se você quiser começar com um método auto-dirigido, pode também ler sobre outras experiências que podem ser semelhantes às suas e descobrindo como elas funcionaram.


- Pratique um bom auto-cuidado, cuide de si e do outro. Quanto melhor estiver de saúde, melhor se sentirá, menos stress desnecessário causará aos seus relacionamentos e mais poderá se dar aos outros.


- Dois pesos, duas medidas, igualdade precisa-se! É claro que só funciona se der e receber em "quantias iguais" para ilustrar o dar e receber de forma justa e igualitária.


- Espere desafios e baixos, para corresponder aos altos. Nos relacionamentos, como todas as coisas, têm altos e baixos. Esperar uma experiência completa, significa que pode ficar mais calmo(a) quando os desafios vierem.


Trabalhe as suas relações na consulta de psicologia, para marcação: catiacastro.psicologia@gmail.com