• Dra. Cátia Castro

Como ajudar um parceiro com problemas de depressão



Dar atenção e ajudar faz bem, mas por vezes os familiares e amigos da pessoa com depressão podem-se sentir por vezes sobrecarregados, com o desânimo de muitas vezes a atenção que lhe oferecem não resultar no efeito duradouro esperado.


Como ajudar o(a) seu(sua) parceiro(a) com depressão?


É difícil ver alguém que amamos a sofrer, e queremos ajudar, mas devemos de ter em atenção que:

- parceiros, família, filhos, conhecidos e amigos não são psicólogos nem psiquiatras, logo não devem de tentar assumir esse papel, pois poderá trazer mais danos que efeitos positivos.

- não pode obrigá-los a ir para a psicoterapia, não pode fazer com que mudem, não pode consertá-los.

- a única pessoa que tem o poder de mudança é o próprio. Sim, pode fazer o seu melhor para apoiá-los e amá-los, mas isso depende deles.

Todavia, há muito que pode fazer que poderá ajudar.


Vamos ver então como:


1. Lembre-o constantemente de que você está lá para o ajudar.

O mais importante é assegurar que estará ao seu lado, mesmo nas piores fases, independentemente da intensidade das eventuais crises. Contudo, esse apoio não deve ser confundido com maternalismo/paternalismo, promovendo sim a autonomia da pessoa, elogiando e reconhecendo as qualidades e avanços (mesmo que mínimos).


Por vezes as pessoas que têm depressão, tendem a agir como se não precisasse das outras pessoas, podendo até dizer para que as deixem sozinhas. Por vezes permitem que se aproxime e depois o afaste. Ou até mesmo mudar as coisas e culpá-lo por perturbá-los. Mesmo que a pessoa se recolha, pode sugerir cuidadosamente actividades em conjunto, ou encorajá-la a empreender algumas coisas sozinha.

Não esperar que a pessoa tenha iniciativa própria, nem que o seu humor melhore, mas tenha sempre em consideração pedir a opinião e contar com as suas decisões.


A depressão, ansiedade e trauma têm um grande efeito colateral - a vergonha.

A vergonha faz com que as pessoas afastem os outros, ou sejam confusas e até mesquinhas quando, no fundo, estão desesperadas por apoio. Não para ser sufocados ou que lhe digam o que fazer, mas apenas para saber que não estão sozinhos.


2. Segurança, serenidade e esperança

A depressão é uma dificuldade psicológica que é possível de se tratar, podendo parecer difícil em alguns momentos, e podendo ter que levar um longo caminho a percorrer, mas pode ser de facto superada.


Um ambiente familiar empático, protector e estimulante ajuda a lutar contra a resignação e melancolia, assim como transmitir segurança, serenidade e sobretudo esperança na recuperação.


3. Não force seu parceiro a falar.

É verdade que falar sobre coisas pode ajudar, mas quando estamos prontos e disponíveis para conversar. Portanto, tentar manipular o seu parceiro para partilhar quando ele não está pronto ou não o quer, tornar-lo-à menos propenso a recorrer a si.


4. Mas se o seu parceiro falar, ouça, e numa escuta activa.

Isso significa que não o interrompe para partilhar experiências suas semelhantes, não dar conselhos, não tentar agir como se tivesse mais sabedoria.

Ouvir bem significa simplesmente ficar quieto, permitir pausas e reflectir sobre o que a pessoa disse para ter a certeza de que a escutou.

E você faz boas perguntas se parecer apropriado. Não é que não possa compartilhar as suas experiências, e na verdade, num relacionamento saudável, deve haver uma partilha. É só que neste caso, pode ser necessário permitir um espaço entre a partilha antes de a fazer, ou até mesmo guardar a sua história para outra ocasião. Caso contrário, ele ou ela não será ouvido.


5. Pare o ‘diagnóstico’.

Quer ajudar e quer entender. E pode ter encontrado informações realmente boas na Internet e estar 99,9% certo de que o seu parceiro tem algum distúrbio ou outro. Mas se ele ou ela realmente quisesse essa informação, eles próprios teriam pesquisado. E rotular alguém faz com que se sinta julgado e acusado. Como não é psicólogo e psiquiatra e muitas das ‘informações’ na Internet estão erradas, há uma boa hipótese de estar totalmente errado e seu parceiro estar a passar por outra coisa totalmente diferente.

Se realmente acha que o seu parceiro tem alguma dificuldade psicológica, no máximo pergunte se já ouviu falar e sugerir a leitura de um artigo, mas evite dizer que precisa de lê-lo. Se quiser saber mais, pode e fará as suas próprias pesquisas.


6. Informar-se sobre a depressão.

Pesquisar e saber mais sobre esta dificuldade psicológicas pode ajudar a entender melhor certos comportamentos do seu parceiro, na vossa relação, tanto para o seu bem-estar quanto para o dele.


7. Mantenha sua própria vida.

É aquele cenário da máscara do avião, em que primeiro colocamos a máscara em nós próprios para podermos respirar, e depois colocamos a máscara na pessoa ao lado para a ajudar.

Não podemos ajudar os outros se não nos ajudarmos a nós próprios primeiro. O auto-cuidado é crucial. Desistir de todos os seus hobbies e da sua vida social para ajudar um parceiro com depressão, poderá deixá-lo vazio, em esforço e com ressentimentos. Em vez de ser capaz de apoiar o seu parceiro, a relação pode ficar afectada.


8. Sugira que procurem ajuda, mas da maneira mais correcta.

Novamente, você não é psicólogo ou psiquiatra. E isso significa que não é o seu trabalho cuidar totalmente de alguém que tem problemas de saúde mental.

Dizer por exemplo a alguém no calor de uma discussão 'precisas de ajuda' é uma má ideia. É insensível e pode levar alguém a sentir-se completamente rejeitado. Pode até tentar o suicídio se estiver num estado muito grave de depressão.

É muito importante deixar alguém saber, que pode contar com o apoio num momento de calma.


O que não é aconselhável fazer:


- tratar a pessoa com impaciência, incompreensão, demasiadas exigências, pois isso intensifica o sentimento de culpa.

- dizer afirmações como por exemplo "isso passa", "estás a ser dramático", "isso é só para chamar a atenção"

- não ajuda pedir à pessoa que se recomponha, que não se descontrole, ou que pare de se vitimizar. As pessoas com depressão não têm falta de vontade, mas, em algumas fases, não conseguem estar de outra forma.


As depressões são inconstantes, evoluem em ondas, melhoram, pioram novamente e requerem muito tempo e paciência dos familiares e sobretudo da pessoa deprimida.


Onde procurar ajuda


Psicologia - num primeiro momento a avaliação psicológica. No seguimento, a depressão deve ser tratada através de uma psicoterapia, com frequência no mínimo semanal, onde as sessões têm entre outros factores, em linha de conta a história de vida da pessoa, o seu desenvolvimento relacional e afectivo, dimensões familiares, apoio, contenção e mudança.


Psiquiatria - quando necessário o tratamento medicamentoso deve ser complementado por uma psicoterapia, coordenando-se os dois profissionais psiquiatra e psicólogo.



Para marcação de consulta de psicologia - catiacastro.psicologia@gmail.com