• Cátia Castro

Como ajudar um adolescente com depressão - dicas para pais



O que precisa saber se quiser ajudar um adolescente com depressão?

E quais são as coisas que deve evitar ao tentar ajudar o seu filho(a) com o humor deles?


12 maneiras de ajudar um adolescente com depressão


1. Não se trata de si.

Pode-se preocupar e sentir-se responsável, e sem aperceber, pode criar o problema do seu filho(a) sobre si. Pode estar implícito em pequenos comentários como "Acho que não fui um bom pai naquela altura" ou "Acho que não gostas de mim o suficiente para falar comigo". Esse tipo de frases pode afastar o(a) seu(sua) filho(a) ou adolescente ainda mais longe de ter vontade de partilhar algo consigo.


2. Não dê conselhos ou banalidades.

Frequentemente, fazemos isso mesmo sem nos apercebermos. Dizemos aos nossos adolescentes como se sentir melhor, como se sentir feliz, oferecemos frases feitas como "pensa positivo", "sorri", como se fosse algo de muito fácil para um adolescente com depressão, correndo o risco de o adolescente se desligar ainda mais de si. Quanto às palestras, simplesmente não.


3. E sim, ouça, ouça muito bem e com disponibilidade

Muitas pessoas pensam que estão a ouvir, quando na verdade nunca ouvem bem.

Ouvir correctamente significa que está a colocar toda a sua atenção, no que a outra pessoa diz. Não está à espera para contar a sua história, planeando o que dizer a seguir ou a pensar no que fará mais tarde. Se não entende o(a) que seu(sua) filho(a) adolescente diz, não finja que o(a) entende. Procure reflectir ou peça que clarifique algumas questões.


4. Faça boas perguntas.

Sim, às vezes os adolescentes podem ficar com aborrecidos quando questionados. Mas quando aprende a fazer as perguntas certas, tem maiores hipóteses de fazer como que o(a) adolescente partilhe o que sente e pensa.

Para começar, evite perguntas do tipo "porquê". Para os adolescentes algumas questões podem ser consideradas julgamentos, e podem também levar as pessoas a pensarem demasiado em maneiras que simplesmente não são úteis.

Perguntas sobre 'como' e 'o quê' são muito melhores.

Então, 'porquê é que estás deprimido?' é uma pergunta terrível.

O que posso fazer para ajudar? como é para ti? como poderíamos tornar o teu dia-a-dia menos agitado e melhor?’, são muito mais úteis.


5. Facilite o auto-cuidado.

Para a ajudar ao combate da depressão e a ansiedade, procure que o(a) seu(sua) filho(a) tenha um bom auto-cuidado. Para começar, certifique-se de que o(a) seu(sua) filho(a) tenha acesso a alimentos saudáveis. Se eles mostrarem interesse por uma forma de desporto, encoraje e invista. O exercício físico melhora o humor e também tira o(a) seu(sua) filho(a) de casa e promove a socialização.


Eles também precisarão de dormir bastante. O cérebro do adolescente pode ter padrões de sono muito diferentes dos outros. Portanto, ficar a dormir um pouco mais tarde no fim de semana pode ser uma coisa boa.


6. Cuide de si mesmo.

Por falar em auto-cuidado, está a ser um bom exemplo? Se o seu auto-cuidado é fraco, se está esgotado(a) e cansado(a), então será muito mais difícil de ajudar alguém.


E se considerar que a sua culpa pela depressão do(a) seu(sua) filho(a) é demais, ou se a depressão dele(a) está desencadeando os seus próprios problemas de saúde mental, procure apoio psicológico.


7. Tenha bons limites.

Ama o(a) seu(sua) filho(a) adolescente e quer ajudá-lo(a). Mas tornar-se uma tarefa simples e ceder a todos os seus caprichos porque você se sente culpado(a), não é realmente útil para si ou para eles. Seja um modelo de respeito próprio e de bons limites. Esteja lá para o(a) seu(sua) filho(a) adolescente, mas também esteja lá para si. Se o seu filho adolescente for mau ou pedir muito, diga-lhe de uma forma calma e firme. Em seguida, encontre um meio-termo.


8. Mantenha a porta aberta.

O(a) seu(sua) filho(a) adolescente pode rejeitar a sua aproximação para falar com frequência. Novamente, tente não levar para o lado pessoal. A adolescência é o momento de desenvolvimento em que percebemos quem somos como indivíduo. Os adolescentes podem ser tão abrasivos enquanto aprendem a estabelecer limites.

Lembre-os de vez em quando de que está disponível, e que tal significa que eles conversarão quando precisarem e que você está disposto a ajudar da maneira que acharem necessária.

Observe que a comunicação e a conexão não precisam ser com palavras. Por vezes apenas fazer actividades juntos, ou simplesmente estar juntos em silêncio, também pode dar ao seu filho uma sensação de apoio.


9. Passe algum tempo juntos.

Os adolescentes muitas vezes resistem a passar tempo juntos com os pais, porque os pais não têm em conta o que eles gostariam de fazer. Em vez de lhes dizer o que gostariam de fazer juntos, peça primeiro a opinião deles.

O ideal é passar um tempo juntos pelo menos uma vez por semana, mesmo que seja apenas fazer o jantar juntos. Claro, não há necessidade de perder os seus próprios limites aqui. Não tenha a tendência para fazer o que o seu filho quer, mas que você não aprova. Encontre algo entre vocês de que possam ambos desfrutar.


10. Respeite sua privacidade.

Sim, ter um adolescente deprimido ou ansioso pode deixar os próprios pais ansiosos.

E sim, é normal conversar com o seu parceiro ou com um membro da família de quem o seu filho é próximo. Mas os adolescentes são mais sensíveis do que a maioria, sobre a sua privacidade e rapidamente se sentem traídos.

Dizer à tia o que eles não gostam, ou a todos os seus amigos que são pais de amigos deles, talvez não. E se eles disserem algo a si e pedirem para não contar a ninguém, a menos que estejam a transgredir a lei ou o seu bem-estar esteja em perigo, respeite sua privacidade.

É claro que, se compartilha tudo com o(a) seu(sua) parceiro(a), certifique-se de que o adolescente saiba que o que compartilhar consigo, será partilhado. Você precisa, lembre-se, de manter seus próprios limites.


11. Obtenha o apoio adequado para o(a) seu(sua) filho(a).

Mesmo que o(a) seu(sua) filho(a) adolescente pareça apenas moderadamente deprimido(a), é uma ideia oferecer-se para ajudá-lo(a) a encontrar algum aconselhamento através das consultas de psicologia. Lembre-se, que por vezes os adolescentes escondem coisas. Portanto, o(a) seu(sua) filho(a) pode estar a sentir-se pior do que parece.

É claro que sugerir a alguém que precisa de psicoterapia pode ser uma conversa complicada. Se o(a) seu(sua) filho(a) está tão deprimido que nem quer ir ao consultório de psicologia, pergunte se eles gostariam de experimentar a psicoterapia online por Skype, ou psicoterapia mista, o que significa que o(a) seu(sua) filho(a) pode fazer algumas sessões pessoalmente e outras pela Internet. Se o(a) seu(sua) filho(a) não estiver interessado(a) na psicoterapia no início (pode estar muito interessado(a), mas apenas irritado(a) porque a ideia veio de si), diga que a disponibilidade em ir às consultas é válida quando ele(ela) quiser.

Dê-lhes alguma liberdade para se quiserem escolher o(a) seu(sua) próprio psicólogo.

Pode também fornecer uma lista de linhas de apoio gratuitas, para as quais eles podem ligar de outra forma. Se realmente acha que sugerir psicoterapia não vai ser bem aceite, e há outro membro da família que pode querer intervir e sugerir, essa é uma óptima ideia.


12. Certifique-se de que seu filho tenha uma palavra a dizer no tratamento.

A pior coisa que pode fazer é marcar uma sessão de psicoterapia sem que ele(ela) saiba, ou induzi-los a ir, ou tentar forçá-los a tomar antidepressivos se não quiserem.

Ninguém responde bem à manipulação. Trate o(a) seu(sua) filho(a) com respeito e da maneira como você gostaria de ser tratado. Inclua-os em seu próprio plano de tratamento.


Agende consulta de psicologia presencial e/ou online por videochamada através de Skype:

catiacastro.psicologia@gmail.com