• Cátia Castro

Auto-estima, veja o bom que há em si



A auto-estima é a atitude que por vezes escolhemos ter em relação a nós mesmos. É composto das percepções que temos sobre nós, bem como do valor que nos atribuímos.

A pessoa com baixa auto-estima tem a percepção geral de que tem pouco valor, tendo frequentemente alguns pensamentos negativos sobre si mesma.


A baixa auto-estima pode ser um problema?


As pessoas com uma auto-estima saudável tendem a se perceber como uma pessoa que tem aspectos bons e com valor. As pessoas com boa auto-estima conhecem alguns dos seus pontos fortes e competências e têm orgulho nas suas acções. Têm uma dose de fé em si mesmos para experimentar coisas novas, definir e alcançar objectivos de vida e para lidar bem com situações desafiadoras.

As pessoas com baixa auto-estima são mais propensas a ignorar seus pontos fortes e se concentrar nas suas fraquezas, quedas ou fracassos percebidos. No fundo, podem pensar que não são pessoa tão boas como os outros. Isso causa dificuldades no estabelecimento e cumprimento de objectivos, levando a desafios ao estabelecer limites com os outros, podendo os seus relacionamentos serem problemáticos. A baixa auto-estima não é um problema de saúde mental em si, mas está por vezes associada à depressão e à ansiedade.


O que pode causar a baixa auto-estima?


A baixa auto-estima é causada por um conjunto de crenças negativas centrais na vida da pessoa. Estas crenças são ideias que desenvolvemos sobre nós mesmos e o mundo durante a nossa infância. Estas percepções podem estar tão intrínsecamente na nossa maneira de pensar que nem questionamos sua validade, a menos que, como adultos, percebamos que algo na nossa vida não está bem e então decidimos explorar e compreender-nos melhor através da psicoterapia por exemplo.

Alguns exemplos de crenças básicas que uma pessoa com baixa auto-estima pode ter são: "o mundo é um lugar perigoso", "Eu não vou conseguir, não importa o quanto eu tente e me esforce".

A baixa auto-estima pode ser desencadeada por experiências que temos como adultos, mas geralmente isso ocorre porque as experiências se baseiam nas crenças básicas sobre nós mesmos que já temos desde a infância. É por isso que, se duas pessoas experimentam uma situação negativa semelhante, uma sofrerá uma diminuição na sua baixa auto-estima e a outra se recuperará com maior facilidade tendo uma maior resiliência. É claro que uma pessoa tem um conjunto único de experiências de vida que a levam a ter baixa auto-estima.


Mas, em geral, uma ou a combinação das experiências a seguir, define as bases ou pode desencadear, a baixa auto-estima:


- Uma dinâmica relacional familiar instável. Podendo incluir não se sentir seguro(a), protegido(a) e / ou amado(a).

- Cuidadores muito críticos. Incluindo pais, responsáveis ​​e / ou professores que foram excessivamente críticos e exigentes.

- Abuso quando criança ou adulto, incluindo abuso mental, emocional, físico e sexual. -Experiências traumáticas de vida, como doenças grave, perda de um ente querido, entre outras.

- Ambientes exigentes, que podem ser uma escola ou local de trabalho, podem causar altos níveis de stress.

- Relacionamentos pouco saudáveis, que podem ser românticos ou platónicos, mas envolvem ser controlado(a), manipulado(a), menosprezado(a) e / ou enganado(a).

- Bullying ou discriminação ou qualquer outra forma de estigmatização.

- A comparação com os outros de forma excessiva e frequente, incluindo comparando-se com figuras públicas.

- A falta de apoio social pode deixar a pessoa sozinha, o que diminui a auto-estima.

- A depressão pode causar baixa auto-estima, embora seja mais comum que a baixa auto-estima cause depressão. Independentemente disso, os dois geralmente vêm de mãos dadas.


Qual é a diferença entre baixa-confiança e baixa auto-estima?


A baixa auto-estima não é o mesmo que a baixa confiança. A baixa auto-estima tende a ser inconsciente, pois é criada pelas nossas percepções fundamentais e profundas, afectando tudo o que fazemos.

A baixa auto-confiança está mais relacionada ao nosso pensamento consciente, sobre como podemos lidar com as situações, podendo variar com cada situação em que nos encontramos.

A pessoa pode sofrer de falta de confiança, mas ainda assim ter uma boa auto-estima. Por exemplo, a pessoa pode ter medo de falar em público, odiar os primeiros encontros e não gostar de dançar em frente às pessoas. Mas se ainda sente que é uma pessoa com valor e que tem coisas a oferecer ao mundo, a pessoa só está a sofrer de falta de confiança em algumas áreas da sua vida.

Por outro lado, algumas pessoas com baixa auto-estima podem mostrar-se muito confiantes, capazes de fazer bem as coisas, mesmo que no fundo se culpabilizem por não serem perfeitas.

Algumas das pessoas mais bem-sucedidas admitem ter baixa auto-estima. Estas pessoas esforçam tanto por acreditar que precisam "provar" que são valiosos, quando, na realidade, cada indivíduo é valioso, independentemente dos seus feitos.


A baixa auto-estima não é por si só uma psicopatologia. Mas se a pessoa sentir que sua baixa auto-estima está dificultando o seu desempenho na sua vida quotidiana, é recomendável procurar a ajuda de um profissional de saúde como um psicólogo.


Qual é o impacto que a baixa auto-estima pode ter?


A baixa auto-estima pode dificultar todas as áreas da vida, dificultando o estabelecimento e o alcance de metas que o impulsionem, ou a enfrentar novos desafios, que tornem a vida interessante.

Nos relacionamentos, a pessoa pode achar difícil confiar nos outros, o que pode dificultar as suas amizades e relacionamentos amorosos e levar à solidão e ao isolamento social. Também é mais difícil estabelecer limites se a pessoa não tiver auto-estima, estando aberto para ser manipulado e desenvolver comportamentos de co-dependência.

A baixa auto-estima pode deixar a pessoa muito tímido(a) para fazer amizades com pessoas que deseja conhecer, e assim desenvolver os seus relacionamentos e a sua rede social de suporte.

No trabalho, a pessoa pode eventualmente estar empregada em trabalhos que não são desafiantes para si ,ou de que não gosta por não ter confiança para procurar um trabalho que deseja, ou pode acabar esgotado(a) e exausto(a) pela dificuldade em dizer não a um chefe exigente ou colega de trabalho.

Em termos de saúde, a baixa auto-estima pode eventualmente levar a comportamentos de auto-sabotagem, incluindo distúrbios alimentares, auto-mutilação e hábitos de dependência, como o uso de drogas ou álcool. E, com o tempo, a baixa auto-estima não tratada leva quase inevitavelmente a um humor cada vez mais baixo. É um dos principais sintomas da depressão.


Quanto tempo demora a recuperar a boa auto-estima?


Não existe uma solução rápida para a baixa auto-estima. Não se esqueça de que o sentido de identidade foi desenvolvido ao longo de muitos anos e, desde então, está profundamente aprendido. Mudar a auto-estima é, portanto, um processo contínuo, e a rapidez com que a pessoa pode elevar sua auto-estima dependerá do compromisso que assumirá consigo próprio(a) e do trabalho a realizar na psicoterapia.


Algumas sugestões que podem ajudar a ter uma boa auto-estima:


- Concentre sua atenção nos seus pontos fortes. Faça uma lista com suas competências, qualidades positivas e coisas sobre si que gosta. Isso pode incluir, sem limitação, traços de personalidade, realizações e hobbies nos quais se sente bem. Se possível, peça a alguém da sua confiança para ajudá-lo(a) a identificar alguns dos seus traços positivos. Continue adicionando itens à lista conforme o tempo passa, reservando algum tempo para lê-la de quando em vez ou sempre que for desafiado(a) por pensamentos negativos.


- Aumente o seu auto-cuidado. Cuidar melhor da saúde física é uma forma de se valorizar e respeitar. Alimente-se bem, permita-se usar roupas com as quais se sinta bem e faça exercício físico.


- Reconheça os pensamentos inúteis. Aprenda a diferenciar entre pensamentos regulares e aqueles que são criados por uma baixa auto-estima, que geralmente começam com “Eu sou” ou “Eu deveria”. Os exemplos são: 'Não vou ser bom(boa) o suficiente nisto, então porquê tentar?!' ou 'Eu deveria ter feito melhor naquela apresentação'. Depois de captar um pensamento negativo, pode ser útil usar perguntas como: Isso é um facto ou é a minha opinião? Quais são as desvantagens deste pensamento? Que evidências tenho contra esse pensamento? Estou a tentar prever o que acontecerá, em vez de ter a mente aberta sobre o que pode acontecer? Qual é o pensamento mais equilibrado que eu poderia escolher ter? Experimente uma perspectiva diferente.


- Passe mais tempo a fazer coisas das quais tem competências e se sente bem. Identifique o que faz bem e considere fazer mais.


- Relacione-se mais com pessoas positivas. É mais fácil sentimo-nos bem connosco próprios se escolhermos estar com outras pessoas que nos respeitam e apreciam.


- Seja assertivo(a). Dizer 'não' é uma forma de arte que qualquer pessoa pode aprender, e pode ajudar as pessoas com baixa auto-estima a estabelecer limites muito necessários com os outros.


- Aprenda a comunicar como se sente. A baixa auto-estima pode fazer com que as pessoas pensem que compartilhar os seus sentimentos causa conflitos. Mas a comunicação adequada pode levar a relacionamentos mais francos e fortes.


Cuide de si e do seu bem-estar psicológico.

Para agendamento da consulta de psicologia: catiacastro.psicologia@gmail.com