• Cátia Castro

Videojogos



Os videojogos são uma das formas mais populares de entretenimento nos dias de hoje, daí ser importante compreender o cérebro humano e os seus processos mentais, assim como as dinâmicas relacionais da pessoa na interactividade com as plataformas virtuais. Assim é importante o estudo contínuo e actualizado nestas áreas, para o desenvolvimentos da ética e da inclusividade dos videojogos.


A psicologia dos videojogos explora a relação entre a psicologia e os videojogos, na perspectiva de ambos os criadores e os jogadores. Vê como os jogos são feitos, e o que é que os faz divertidos e bem sucedidos, quais os benefícios que os videojogos podem ter nos jogadores e a relação com a educação e os cuidados de saúde. Tem em conta também o estudo dos potenciais impactos negativos, como a dependência, bem como as considerações éticas inerentes.


Existe uma grande diversidade de videojogos, estes permitem que seja o herói de uma aventura épica (ex. Uncharted, The Lengend of Zelda), construir a sua própria nave espacial (ex. Kerbal Space Program), explorar mundos construindo estruturas e casas sobrevivendo individualmente ou em grupo (ex. Minecraft), viver em paisagens paradisíacas ao mesmo ritmo temporal de jogo e vida real caçando e fazendo amizades com os outros residentes (ex. Animal Crossing: New Horizon), ou então descarregar a agressividade em jogos de equipa com habilidades de armas de fogo reais (ex. Valorant). As possibilidades que os jogos oferecem são muitas, para além do lazer podem noutros formatos ser importantes ferramentas de educação e saúde.


Experienciar um videojogo (assim como tudo o resto na vida) acontece nas nossas mentes, quando processamos a informação e aprendemos, geralmente começa pela percepção de certos estímulos do ambiente. Nós "processamos" esta informação na nossa memória de trabalho, que requer recursos da atenção. Depois "guardamos" a informação na nossa memória a longo-prazo. Factores como o estamos focados em desempenhar uma determinada tarefa (atenção), a nossa motivação para acompanhar essa tarefa, e as emoções associadas a esta, irão ter um impacto no processamento da informação e na retenção da memória a longo-prazo (assim como outros factores). O cérebro é extremamente complexo, mas para cada actividade, ambos os hemisférios do nosso cérebro colaboram, não actuam isoladamente. A libertação de dopamina, que está ligada aos centros de prazer do cérebro, é libertada quando temos uma recompensa inesperada.


Fazer e criar videojogos é difícil, não há nenhuma receita para jogos divertidos e bem sucedidos, todavia os criadores de videojogos muitas vezes usam alguns ingredientes informados pela psicologia, para fazerem a sua própria receita, dependendo da experiência que querem oferecer e para determinado tipo de jogadores. Sendo que estes jogos têm em conta os jogadores em primeiro lugar, procuram assegurar-se que o jogo é acessível, inclusivo, seguro e sobretudo ético.


De alguns estudos psicológicos que foram feitos, alguns deles sugeriram que a pessoa sendo treinada num determinado videojogo comercial (jogos de acção) pode ter um impacto positivo de longa duração na acuidade e atenção visual, bem como na cognição espacial. Contudo a transferência desta aprendizagem para outras tarefas similares é rara, sendo difícil a transferência de competências específicas aprendidas enquanto jogo noutros domínios e contextos.

Mas, podem ser usados como uma ferramenta num contexto pedagógico. Assim, educadores e técnicos de saúde estão cada vez mais interessados em usar certos jogos já existentes para educação (ex. Minecraft) ou criar videojogos para atingir objectivos específicos na educação ou saúde. Não obstante, mais investigação é necessária para explorar especificamente os benefícios dos videojogos, existem indicadores que certos videojogos podem apoiar competências cognitivas, comportamentos saudáveis, ou até comportamentos pró sociais.


Dependendo da perspectiva, os videojogos são considerados uma forma de arte interactiva, uma plataforma, uma actividade divertida. Alguns videojogos podem ser jogados no exterior, outros em casa, uns são violentos, outros pacíficos, uns são jogados individualmente, outros em cooperação e em competição.


Nos impactos negativos dos videojogos, temos de ter em conta a pessoa, qual o jogo e o contexto onde é jogado. Os jogos violentos estão presentes em todos os critérios de impacto negativo, e alguns videojogos mais populares são violentos (ex. Call of Duty, Grand Theft Auto, Valorant), outros não são violentos (ex. Minecraft, Pokémon).

Os sistemas de classificação dos videojogos informam os pais e os compradores dos videojogos, sobre a idade adequada do jogo e respectivo conteúdo como a violência, entre outros (ex. PEGI - Pan European Game Information).

Um dos factores negativos é o excesso de horas de jogo que é feita à custa de não fazer outras actividades (como os trabalhos de casa, ou actividades físicas), bem como à custa de horas de sono e descanso. Contudo, a maioria dos "gamers" jogam moderadamente, tendo até acesso às horas de jogo que fizeram para assim tomarem consciência e poderem equilibrar a sua gestão de tempo.


Qualquer actividade feita em excesso é prejudicial, e os videojogos seguem essa regra.


É importante compreender o que as crianças e adolescentes fazem quando jogam, pois os videojogos tornam-se plataformas sociais, podendo comunicar com outras pessoas online enquanto jogam. Os videojogos podem também proporcionar outras dinâmicas relacionais, em redes sociais como o Discord, e a visualização de streamings na Twitch, onde pode existir contacto e interacções sociais benéficas, contudo outras interacções podem-se tornar desadequadas a crianças e adolescentes.


Independentemente de tudo, ainda não é possível saber se os videojogos são bons para nós. Depende largamente de que videojogos estamos a falar e no contexto em que ele é jogado. Quando se fala nos "efeitos dos videojogos" estes são difíceis de mensurar, uma vez que existem tantos tipos de videojogos como existem de livros, filmes, ou programas de televisão. Os videojogos são uma área imensa por explorar, que evolui dia para dia, mas sabemos que sempre que ouvimos ou lemos algo de sensacional sobre videojogos, temos de tentar entender os detalhes e em que artigos científicos se baseiam e não ficar pelas "letras gordas" da notícia.


catiacastro.psicologia@gmail.com